“Te darei apenas o que há de melhor em mim” ou carta para um amor desfeito

“Te darei apenas o que há de melhor em mim” foi minha promessa. Mas, sem querer, também te dei meu lixo. E assumo minha parcela de responsabilidade por destruir tudo.

Vejo que andei afetivamente doente.
Vejo que andei, por demais, insegura.
Vejo que andei cobrando que tu me valorizasse quando valorizar-me é responsabilidade minha.

Reconheço que levei teu amor ao limite do insuportável. Reconheço que sou excessivamente possessiva.
Reconheço que te falta ar. Reconheço que ficar ao meu lado é difícil e muitas vezes um porre.

Reconheço que isso cansa o amor que tens por mim.
Reconheço que te quero controlar.
Reconheço que te deixo tenso, irritado e inseguro quanto ao nosso futuro.
Reconheço que tomo atitudes que te afastam de mim quando o que mais queria era te manter perto.

O êxtase de estar juntos deu lugar ao medo, ficamos doentes e adoecemos nosso amor.

Por isso, aceito que não me queiras mais assim.
Aceito que não me queiras mais de qualquer forma.

Mas é que um dia eu sonhei que nunca tomariamos uma atitude que partisse nossos corações.
Sonhei que ficariamos orgulhosos de proteger nosso amor da leviandade, do egoísmo e do engano.
Sonhei que, mesmo não sendo tudo, nosso amor seria o mais importante.
Sonhei que as coisas que aprendemos, vivemos e construímos juntos valeriam mais que uma emoção passageira.
Sonhei que conseguiríamos proteger nosso amor daquilo que não é bom em cada um de nós e daquilo que nos trás arependimento e vergonha.
Sonhei que juntos nos tornaríamos cada dia melhores um para o outro só porque nos amávamos.