A paixão, o amor e a relação do casal

A paixão é como um encanto, arrebata, cega. A paixão além de ser uma modificação emocional também orgânica, pois a taxa de hormônios e neurotransmissores se altera. Devido a essas alterações, a paixão tem prazo para acabar, afirmam os cientistas e dura em média dois anos.

E depois? O que acontece? Depois os casais se separam ou continuam, a partir de uma vivência mais duradoura, o Amor. Todavia, é aí que o relacionamento sofre sua prova de fogo, porque cada um dos membros do casal começa a enxergar o outro da forma como realmente é, descobrindo então os defeitos.

Uns chegam a dizer: “ele mudou tanto, no início não era assim…”. Nesse ponto da estrada do amor, cabe a cada membro do casal colocar os defeitos e as qualidades do ser amado em uma balança, avaliando o quê tem mais peso e, caso os defeitos pesem mais, é importante que o casal avalie se é possível suportar esse peso.

Ainda assim, muitos cônjuges, nessa etapa, não avaliam adequadamente a relação. Agem de forma benevolente, dizendo a si e aos outros que os defeitos do ser amado são perfeitamente toleráveis. Mas acabam se colocando em sofrimento. O sofrimento, a princípio, pode não ser tão grande, porém, a longo prazo, vai se tornando tóxico.

O casal está, dessa forma, vivendo uma relação amorosa adoecida. Neste encontro, um sofre e o outro faz sofrer e têm como pano de fundo a ilusão de estarem vivendo um Amor.Não reconhecer esse aspecto pode trazer uma vivência nociva de amor.

E por que isso acontece?
Quando escolhemos nosso parceiro amoroso, revivemos os aspectos de nosso laço primordial de afeto. Os laços afetivos com nossa mãe, nosso pai, a vivência do amor na família de origem como um todo. Herdamos de nosso laço familiar o modelo de relacionamento afetivo. Ou seja, aprendemos, nesse laço, como amar.

No entanto, pode ser que tenhamos aprendido uma forma distorcida de amar, em que humilhação e violência são suportadas (apanhar, sofrer xingamentos, sofrer restrição da liberdade), e na qual tenha sido naturalizada a opressão dentro do relacionamento e a sobrecarga de responsabilidades. Assim, a cultura familiar é fator fundamental e influencia as crenças sobre o que é bom em um relacionamento. Ela forma o conceito do que é adequado/desejado em um parceiro ou parceira. E determina também quais e como suportar desgostos sob pena de ser visto, por si próprio, como egoísta, mau ou adequado.

Com uma cultura familiar doente as pessoas podem constituir relações amorosas não satisfatórias e a se acomodar nelas. Ficam a reproduzir o que aprenderam, por isso, lhes é muito difícil fazer diferente.

man and woman hugging while man kissing woman s head
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Os caminhos para relações amorosas satisfatórias são muitos. E um deles é a reflexão sobre suas vivências anteriores ao relacionamento. O que deu certo e o que não deu? Outro, é refletir sobre o que,de sua família, está sendo reproduzido em seus relacionamentos e pode estar atrapalhando.

Por tanto as chaves da mudança estão em :

  • perceber os comportamentos e pensamentos distorcidos que podem acompanhar a vivência do amor.
  • e na tentativa de modificar tais distorções.

Dessa forma, aprendemos novas, mais sadias e satisfatórias formas de vivenciar o amor em nossas relação afetiva.

Maria Luiza P.C.Rodrigues, psicóloga CRP-RS 07/19741, autora da pagina Psicologia em Palavras Simples